O Complot
Terça-feira, Novembro 25, 2003
 
Menos Mal: O meu organismo fragilizado pelos diversos vícios não resistiu à intempérie intermitente dos últimos tempos. Febril e asmático, arrasto-me pela casa como um zombie. Anti-piréticos, antibióticos, anti-histamínicos, tratamentos de aerossóis, acho que até anti-cholé ando a tomar. O efeito conjunto de todas estas drogas não é mau de todo e, sem as dificuldades respiratórias e as dores corporais, poderia ser desfrutável. Adivinhem o que respondo quando me perguntam que tal estou.


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Sexta-feira, Novembro 21, 2003
 
O nosso orgulho, a nossa selecção (e não, isto não é um anúncio de cerveja): Portugal goleou o Koweit por uns módicos 8-0. Pretexto suficiente para a aberrante imprensa da especialidade anunciar a reconciliação dos portugueses com a equipa nacional. Parece que andávamos zangados desde o jogo do passado fim de semana com a Grécia.

Escusado será dizer que estas relações proto-conjugais me passam completamente ao lado. Não é que não ache piada. Porque acho. Simplesmente tenho mais em que pensar. De vez em quando apercebo-me desta galhofeira vaudeville. E rio. Cinica e envergonhadamente. Embaraçado com este país mariquinhas e piegas, onde toda a gente, quase sem excepção, se enluta se a selecção compromete e rejubila quando a mesma prospera. Neste sentido, e em muitos outros, Portugal é uma nação adolescente. Apesar dos quase mil anos de história.


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Terror em estado líquido: Chego a casa e ligo a telvisão. A Euronews exibe imagens de um quarteirão destruído. Corpos inanimados, hemorragias copiosas, um reboliço embrenhado de pânico. Uma amostra de caos. Leio a legenda: No Comments - Turkey, today. Pensei em terramoto. Rezei para que tivesse sido um terramoto. Não foi.

O jornalismo televisivo é o espelho do mundo para a parcela da população mundial com acesso à informação. Um espelho ao qual é fácil reconhecer virtualismos vários, mas que também se pode comportar como um filtro perigoso, deturpando a nossa apreensão do exterior e do desconhecido. A locução frenética e a montagem cronometrada são alguns dos aspectos técnicos responsáveis por este vício crónico.
Vem isto a propósito dos fantásticos momentos sem palavras que algumas estações noticiosas, entre elas a Euronews, exibem sistematicamente. Estas peças são um verdadeiro achado: as imagens nelas exibidas, se inseridas num qualquer trecho de reportagem seriam para nós mais uma tragédia, mais um desastre, mais um conflito ou mais uma cena caricata. Os trechos longos, muitos deles sem qualquer tipo de edição e filmados à mão, que pontuam estes espaços são a tragédia, o desastre, o conflito ou a cena caricata. Ou, pelo menos, a melhor aproximação que deles podemos ter.

P. S. A propósito: uma palavra de pesar pelo que se passou hoje na Turquia. Quanto ao resto, já sabem o que penso: é necessário (re)agir sem complacência. O terrorismo não negoceia, revida de forma brutal e cega. Uma vez desafiado, só pode ser erradicado pela raiz.


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Mais uma primavera: O Rato Mickey fez há dias 75 anos. Há cerca de uma semana, também Álvaro Cunhal celebrou (suponho) 90 primaveras. Tendo eu nascido nos anos 80, é compreensível que o Rato Mickey tenha exercido em mim uma muito maior influência. Até há pouco tempo, Álvaro Cunhal era para mim um senhor com sobrancelhas de grifo que sempre conheci velho.
Contudo, é-me possível identificar uma importante nuance que distingue as duas personagens: o Rato Mickey, mesmo sendo um desenho-animado, evoluiu.


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De si per si:Quantos livros sobre os limites da literatura pode um escritor escrever? Quantos álbuns conceptualmente experimentais pode um músico compôr? Quantos filmes que testam o alcance e a essência da arte cinematográfica pode um realizador fazer?
A filmografia de Abbas Kiarostami suscita em mim estas e outras dúvidas. No fundo, a reduzida parcela que conheço da sua filmografia não faz mais do que isso: pegar na câmara e ver, no todo, que cinema se produz em resultado. No imediato impera a pureza da arte aliada ao minimalismo técnico. Há mestria e intencionalidade em tudo isto. E do que sobra é possível colher excelentes retalhos de argumento, naquele limbo que separa o documental do ficcional. Mas será honesto elaborar filmes com propósitos explicitamente extra-película? As obras (não-assumidamente) programáticas continuam a fazer sentido nos dias que correm?
Tudo isto são questões deliciosas, talvez inconsequentes. E o maior prazer é nem sequer tentar encontrar as respostas...


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Quinta-feira, Novembro 20, 2003
 
Televisão, o espelho do País: JPP fala-nos sobre voltar "à pátria por via televisiva". A pergunta "Haverá pior maneira de voltar?" foi a primeira que me assaltou. Mas em seguida, mais calmamente, pensei que afinal a nossa televisão é o espelho do nosso país e que, como a televisão, este anda bastante em baixo.


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Terça-feira, Novembro 18, 2003
 
Um mail sensato: Recebemos este e-mail:

Este blog anda uma boa merda, pá! Uma vergonha...

Pedro Robalo


Jovem, não é bonito usar do insulto rasteiro. De resto, toda a razão. Pela minha parte, gostaria de me apologizar, invocando para tal razões de escassez de tempo. É a verdade pura. Tenho lido alguns blogs, esparsa e irregularmente. Entretanto, os assuntos, comos os livros e os filmes que carecem atenção (a minha, pelo menos), vão-se empilhando. E as moças viçosas da minha aldeia, que carentes andam...


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Segunda-feira, Novembro 17, 2003
 
Quanto ao post anterior: Ando tão ocupado que me desliguei da actualidade. Peço perdão pela minha ignorância. Muitos parabéns Professor.


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Domingo, Novembro 16, 2003
 
Será? Leio nos diários de JPC o seguinte:

“Ao Sr. Professor (e futuro colega?) Luciano Amaral do Comprometido Espectador.”

Quer isto dizer que JPC também vai ser nosso professor?



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Quinta-feira, Novembro 13, 2003
 
UM novo blogue: O Caso Arrumado. Interessante, bem escrito, e acima de tudo, sensato. Não deixem de o ler.


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Novelas Portuguesas: Oiço o senhor Presidente da República dizer, numa conferência no Brasil, que ainda é "do tempo em que os deputados abandonavam a assembleia em peso para irem assistir à novela Gabriela". Obviamente que esta moda tinha de ter aparecido algures. Mas o mais interessante era saber que programas arranjarão agora os deputados como desculpa para as suas faltas. Será o Dragon Ball? Ou o Big Brother? Ou talvez os jogos do Porto?


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Segunda-feira, Novembro 10, 2003
 
O Crime: Quando entro, logo de manhã, na papelaria para comprar os costumeiros jornal e tabaco não consigo deixar de passar os olhos pelos cabeçalhos deste pasquim. Noticias como "O meu marido é um extra-terrestre", "tráfico de bebés dentro de melancias" ou "O homem-chama corre quatro quilómetros" animam logo o meu dia. E é por isso que eu tenho de agradecer ao Crime. Quando acordo mal humorado, principalmente às segundas feiras, é muitas vezes este jornal, com os seus cabeçalhos, que me arranca o primeiro sorriso. Obrigado.


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Domingo, Novembro 09, 2003
 
Parabéns: A única coisa que aprecio nesse costume idiota que é cantar os parabéns é observar a cara de parvo do aniversariante, que nunca sabe para onde olhar.


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Preguiça: Sei que sou preguiçoso quando quero que o despertador toque uma hora mais cedo que ontem e em vez de percorrer onze horas com o ponteiro do alarme, avanço o das horas uma hora.


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Quem fala assim...

A nossa coligação é com os portugueses e sobretudo naqueles portugueses que, tendo votado no PSD ou no CDS, neste momento mostram o seu desagrado pela situação gravíssima em que o país se encontra Ferro Rodrigues a propósito das listas do PS para as eleições europeias

... ou está terrivelmente desesperado, ou perdeu toda qualquer réstia de dignidade e honestidade política. Vergonhoso.


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Terça-feira, Novembro 04, 2003
 
Aloe Vera: Nos últimos tempos temos assistido à infecção dos mais diversos detergentes e champôs por essa “coisa” que é a aloe vera. Como não fazia a menor ideia do que seria essa “coisa” consultei a enciclopédia, a primeira coisa que descobri é que não é aloe vera, é aloé vera. Lanço pragas aos anúncios, esses grandes deseducadores de massas. A aloé vera faz parte da família das liliáceas (?), é proveniente da Arábia e do Nordeste de África, existindo também, embora mais raramente, em escarpas e arribas marítimas do sudoeste meridional de Portugal e é também conhecida por erva-babosa. Erva-babosa? Quem é quer lavar as suas roupas ou cabelos com um produto que contém algo que é baboso? Eu não!


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A Vida Quotidiana – 1º Episódio: Caminhava por uma ponte sobre uma linha de comboio (creio que o termo técnico é passagem de nível para peões desnivelada) quando reparei que toda a gente circulava pela direita de forma a facilitar a travessia nos dois sentidos. De repente um homem grande com um nariz que mais parecia uma batata-a-murro surgiu da outra ponta decido a atravessar a ponte pela esquerda. Toda uma fila de pessoas teve de se desviar por causa de uma única pessoa, o velhote que me seguia libertou alguns impropérios. Eu fiquei a pensar sobre a inclinação natural das pessoas sensatas a caminhar pela direita e sobre a inclinação de alguns imbecis a caminhar pela esquerda.


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A Vida Quotidiana: Num exercício de pura inveja do Robalo lanço a saga “ A Vida Quotidiana” onde se contará pensativantes episódios da vida do dia-a-dia.


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Leituras ou A Nossa Geração IV: Mais uma vez, e correndo o risco de me tornar repetitivo, sem pretensões a critico literário vou comentar A Manopla de Karasthan de Filipe Faria.
O Autor convida-nos a entrar no universo fantástico e tolkieniano de Allaryia, um mundo “de grandes heróis e vilões infames, de seres de uma beleza indescritível e criaturas maléficas de uma fealdade atroz, nações poderosas e impérios tirânicos”.
As semelhanças e igualdades com a Terra Média de J.R.R. são inumeráveis, tanto ao nível do mundo em si (personagens, raças, etc.) como da estrutura narrativa.
A acção decorre num ritmo acelerado que me agradou bastante, as caminhadas de Tolkien são abreviadas e as batalhas são mais frequentes e trepidantes.
As personagens estão bem caracterizadas e são muito, digamos, “portuguesinhas”.
Se a memória não me prega partidas a critica literária foi pouco simpática com esta obra vencedora do Prémio Branquinho da Fonseca para jovens escritores. Os críticos afirmaram que a única influência desta obra era Tolkien. Discordo, considero notórias as influências dos role playing games e de Bernard Cornwell, e alguns elementos remetem-me para a série Os Imortais e Eça de Queiroz.
Recomendo a leitura a todos aqueles que se apaixonaram pelas aventuras de Frodo e seus companheiros.
Entretanto já foi editado o segundo volume das Crónicas de Allaryia – Os Filhos do
Flagelo – que oferecerei a um dos meus colegas para que ele o comente e a pluralidade de opiniões seja uma realidade nesta casa.
Devem-se estar a questionar sobre a segunda parte do título deste post, acontece que o autor em causa nasceu em 1982.

A Manopla de Karasthan
Filipe Faria
ISBN 972-23-2863-8
Editorial Presença



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Segunda-feira, Novembro 03, 2003
 
Terapêutica de substituição: Uma semana sem escrever no blog. A mando do médico, que me sugeriu que fizesse outras coisas, como estudar, dormir, beber uns copos e mexer o corpanzil. Quando estiver curado prometo regressar, para nova recaída.


O Complot
 
Coisas que me deixam triste: A Voxx foi comprada pelo grupo Média Capital. Ricardo Casimiro, eterno mentor e director da rádio da Melinha, não encontrou outra solução que não a venda perante o amontoado de dívidas em que a estação se estava a afogar.
Quer isto dizer que, muito provavelmente, é este o fim da Voxx como a conhecemos: independente, irreverente e brilhante. A filosofia temática e as apostas musicais variaram ao longo dos anos, mas a atitude foi sempre a mesma: muito avant-garde, pluralista qb e com um humor pastiche de fazer arrepiar o escalpe.
Lá se vai mais um mito...

P.S. A reflexão sobre rádios e programas de autor não está esquecida. Ainda para mais com esta nova acha...


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The fat of the land: Tenho no meu frigorifico um exemplar da novíssima Vaqueiro com azeite. Um verdadeiro escândalo gastronomico-cultural. Um desrespeito para a terna e versátil Vaqueiro, que um lugar tão seguro conquistou no coração dos portugueses. E um insulto ao azeite, esse néctar reluzente, a mais nobre das gorduras. A culpa, meus amigos, é desta globalização obscena e desenfreada: estamos a assistir, nada mais nada menos, do que ao aproveitamento das sinergias no sector das gorduras. O McDonald's que se ponha a pau.


O Complot
Quinta-feira, Outubro 30, 2003
 
Mail: Não sei porquê recebemos isto:

Cher(e) O_complot
L'idée fondamentale du racisme est la hiérarchisation stricte des races humaines :
Au sommet de la pyramide se trouve l'ARYEN, du grand, fort, blond, yeux bleus;
au plus BAS, les Arabes, les Beurres, les Juifs et les Noirs sans oublier les Bridés
comme on les appelle en France.
Pour un individu, le fait d'appartenir à une race inférieure ne lui laisse aucun espoir d'en sortir,
même pas en justice de la République française, quelles que soient par ailleurs ses qualités personnelles.
Dans l'affaire du Solaris à Nice où les racistes sont les plus forts au monde.
Les fourmis se tiennent en force, comme les racistes,
Ils vivent et travaillent en petit groupe dans l'impureté et sans aucune impunité en France.
3 Avocats, 2 Syndics et 3 copropriétaires racistes vident les poches des Arabes et des juifs
par des comptes erronés et des charges amplifiées aux copropriétaires de la race inférieure.
Les rats, les chats et les chiens se sont ralliés à la race humaine depuis l'ancien testament
tout comme les 3 avocats (demandeurs et défendeurs) s'alignent aux copropriétaires racistes et aux syndics voleurs pour vider nos poches par un jugement bafoué, inventif et détourné.
Ces 3 avocats ont dupé un juge du Tribunal de Nice pour leurs rendre service par un jugement
et sans scrupule, ils en tirent des avantages financiers de toutes les parties.
Quant aux racistes, ils obtiennent la satisfaction de la haine pour nuire aux arabes-juifs et ainsi nous vivons dans une copropriété précaire, sale et déplorable à cause des ces racistes
en croisade sans impunité. C'est le droit de la hiérarchisation des races en France.



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Welcome Back: Finalmente a página de João Pereira Coutinho abriu portas. O que esperam? Vão ver.


O Complot
Quarta-feira, Outubro 29, 2003
 
Lá Se Foi A Cultura Estúpido: Na quarta edição deste evento, onde se reúnem todo o tipo de más pessoas, essencialmente bloguistas, O Complot marcou a sua presença em peso, mais especificamente 219,8 Kgs feito o somatório.
O nosso plano era dar uma pastilha, feita pelos nossos alquimistas, a um orador para que este eliminasse através do hálito toda a plateia inconscientemente e nos livrasse de forte concorrência bloguistica, no entanto alguém se bufou e forças marxistas moveram uma contra-cabala que através de um engarrafamento nos impediu de chegar antes do início da tertúlia e consumar o nosso maquiavélico plano.
António Mega Ferreira disse que preferia fazer zapping a navegar pelos blogs, quando, no final, passou por mim tentei aplicar-lhe uma rasteira mas ele revelou-se esguio e com um simples passo para a esquerda safou-se.
Pedro Lomba estreou-se neste evento debatendo com Daniel Oliveira. PL esteve bem, mas o seu maior defeito no que trata a lutas de argumentos, ser delicado demais, prejudicou-o. Já DO soube aproveitar, e bem, o pouco à vontade de PL.
Pedro Mexia, José Mário Silva, Nuno Costa Santos e João Miguel Tavares estiverem bem como sempre, não justificando nenhum comentário adicional.
Ricardo de Araújo Pereira faltou, o que, caso o evento fosse pago, seria motivo para pedir o dinheiro de volta.
Nuno Miguel Guedes ameaçou-nos de porrada devido a comentários pouco simpáticos à causa monárquica.
Por fim, conspirámos com a malta do No Quinto Dos Impérios e planeamos futuros golpes de estado.



O Complot
 
A Nossa Geração III:

Serge Moscovici, um dos pais fundadores da Psicologia Social e um dos impulsionadores da ecologia política na França, disse esta quarta-feira que a sua principal preocupação de hoje em dia é ver tantos jovens a estudar tanto. Moscovici diz que é aos 20, 21 anos que temos mais capacidade criativa e que a actual geração passa este período a ter aulas. (in DD)

Eu sempre disse que estudar demais tinha de fazer mal e ser extremamente redutor mas fui escarnecido. Eu também me preocupo com os estudantes que passam tempo demais a estudar e, como tal, tento ser um exemplo a seguir pelos meus colegas com média 18 que daqui a uns anos serão meus chefes.
Quanto a a actual geração passar os 20, 21 anos a ter aulas, tenho as minhas dúvidas, a avaliar pelo número de mesas onde se joga sueca nos bares das universidades concluo que as aulas serem dadas não implica que os jovens passem uma percentagem de tempo relevante nas mesmas.
Mas chega de dar pontapés na cambada. A verdade é que ainda não cheguei à altura da minha vida em que tenho mais capacidade criativa e, por isso mesmo, vou estudar.



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Momento educativo.


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Segunda-feira, Outubro 27, 2003
 
Excelentíssimos Pulhas:

Bem sei que as vidas de Vossas Excelências giram totalmente em torno dos blogs como tão bem ilustraram num post onde afirmam ter passado doze horas lendo blogs. Como tal, Vossas Excelências não efectuam erros, não podem efectuar erros, perdem tanto nisto, que para nós é um descontraído passatempo, que cometer o menor erro seria condenável. Não é o nosso caso, nem sempre temos tempo para reler os posts e por vezes somos obrigados a ditá-los a terceiros por via telefónica (que é outro meio de comunicação, caso Vossas Excelências não se recordem).
Vossas Excelências utilizam a palavra “rapaz” num tom jocoso e depreciativo, fazem afirmações sobre a vidinha do “rapaz” e seus relacionamentos com o sexo oposto, mas Vossas Excelências são pulhas. E como Vossas Excelências são pulhas não sabem distinguir uma sátira pouco inspirada de um testemunho real e sentido.
Vossas Excelências ficarão certamente comovidas ao confirmarem que, ao responder-vos, tive o mesmo cuidado que Vossas Excelências tiveram ao referir-nos: não especificar quem fala.
O subtítulo do blog de Vossas Excelências é “Dizer mal por dizer”. Está certo.

Melhores Cumprimentos.



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In DD: Um grupo de fãs noruegueses do universo mágico de Tolkien esteve durante três semanas ao frio numa fila de espera para ser o primeiro a adquirir bilhetes para assistir ao último filme da trilogia O Senhor dos Anéis.
Fãs não, fanáticos.



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Primeiro Galardão: Finalmente conseguimos ganhar um dos mui prestigiados prémios do Mata Mouros.
Queriamos agradecer a Deus (as pópestares dizem sempre isto, deve ajudar a vender mais uns posts) às nossas fãs, a todos aqueles que nos apoiaram e ao CAA. Mas de quanto é o prize money? Vamos receber uma pequena estatueta de um nobre cavaleiro das cruzadas?



O Complot
 
Namoradas que não queremos ter:

Existem vários tipos de mulher que estão para os namoros como os sete pecados mortais estão para o pecado. Não são obviamente categorias estanques e uma mulher pode ter alguma das características de um dos tipos, de vários, ou, no pior dos casos, acumular todas as caracteristicas de todos os grupos. Este tipo será, para mim, talvez o pior tipo de mulher que podemos encontrar:

Mulher possessiva: A mulher possessiva é a mulher que, quando nos despedimos dela à noite nos atira, antes de sair do carro, com o célebre "amanhã quando acordares telefona-me". Uma hora depois de termos acordado no dia seguinte recebemos uma chamada dela a saber porque não lhe telefonámos mal acordámos e o que vamos fazer do resto do dia. Qualquer buraco que nós tenhamos, para um café ou para outra coisa qualquer, será imediatamente ocupado por ela com o seu típico "Quando estiveres despachado diz qualquer coisa". Se não dissermos nada, ficará tensa, irritada e levará o resto do dia a telefonar de meia em meia hora para saber o que estamos a fazer. Por fim, ao fim da tarde, enquanto passeamos com ela pelas lojas de algum centro comercial, nas quais ela entra de três em três minutos, ficará amuada porque não falámos com ela durante o dia, porque "aquela parva estava a olhar para ti e tu estavas a olhar para ela", ao que se responde "não estava nada a olhar para mim e eu estava a olhar para ela porque é a Bárbara Guimarães", porque não temos tempo para ela e porque não queremos estar com ela logo à noite porque vamos ao futebol. Por fim decide que virá conosco ao futebol mas passará o jogo inteiro a fazer um discurso acerca de não lhe damos o mínimo de atenção e nos intervalos do discurso massacrar-nos-á a cabeça a querer saber sobre as equipas e os jogadores, uma vez que nunca viu um jogo na vida. No fim do jogo, asseguir ao comentário "então o futebol é isto", vem indubitavelmente a comparação do futebol, por defeito, com uma série de coisas que poderiam ter sido feitas em conjunto, como ir às compras, ir passear para as docas, ir assistir a uma aula de ballet dela ou simplesmente ficar a fazer serão enquanto ela costurava ou fazia crochet.

It`s quite a picture, isn`t it?



O Complot
 
Ataque cardíaco: O novo disco dos Strokes, Room On Fire, é um típico segundo disco, com tudo o que isso acarreta de bom e de mau. As canções intensas, descomprometidas e com as melhores soluções pop dos últimos anos que compunham Is This It, o álbum de estreia, não figuram neste novo registo. A sonoridade é mais madura, sem que isso implique sofisticação. Basicamente, os ingredientes são os mesmos, mais um toque de preciosismo aqui ou um pormenor bem conseguido ali. Mas o fogo, aquele fogo que incendiou o panorama musical em 2001, não chega a atear por falta de comburente. Room On Fire está longe de ser um grande disco, embora também não seja mau de todo. É por isso que me sinto estupidamente frustrado por gostar de o ouvir.


O Complot
 
O Destabilizador: Conversar com o Comprometido Espectador destabilizou a minha relação com os bloguistas. Antes de conversar com ele tratava todos os bloguistas, independentemente da idade, por tu. No lançamento do livro mais falado do momento eu e o Pedro fomos conversar um bocado com o Luciano, que é nosso professor, e vimo-nos obrigados pelas mais básicas regras de educação, de interacção social e de graxa académica a tratá-lo por você. O Professor fazia-se acompanhar pelo Daniel Oliveira, seria pouco cortês se tratasse-mos um por tu e outro por você, dai que também o tratámos por você. Agora, suponham que o acaso quer que eu converse com o Espectador e com outro dos bloguistas que sempre tratei por tu ao mesmo tempo. Que faço? Talvez o melhor seja garantir que na próxima manifestação estudantil não se fecha a cadeado a universidade antes do Professor entrar.


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O socialismo seria a doutrina perfeita para qualquer sociedade. Se as sociedades não tivessem pessoas.


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Domingo, Outubro 26, 2003
 
Portugal periférico: Portugal é dado a catastrofismos. Portugal é composto de gente apaixonada, latina, que sente muito ainda que faça pouco.
A conjuntura actual é particularmente propícia a exercícios de pessimismo tabloidesco e maledicência desgarrada. Em suma, o nosso passatempo colectivo favorito. Tudo isto faz parte da nossa vivência e identidade colectivas. Parecemos preocupados e escandalizados, mas no fundo, talvez não tão fundo, estamo-nos bem a borrifar para os miúdos da Casa Pia, para a violação do segredo de justiça e para as rameiras de Bragança. Fundimos tudo num conglomerado morno e informe, e a vida continua, impávida e serena.

Mas nós temos a crista empinada. E o caso muda de figura quando percebemos que, lá por fora, os vizinhos para os quais também nos estamos a borrifar, já repararam do amontoado escandaloso de esterco que se acumulou por aqui. Continuamos na periferia mental e intelectual da Europa, mas isso não impede que nos espreitem pela janela e nos descubram a careca. A Time põe Bragança na capa? O El País explica por a+b que, por estas bandas, o rei vai nu? O resto da Europa acha que não somos os mesmos de há cinco ou seis anos para cá? Meus senhores, que páre tudo! Afinal as coisas são capazes de estar mesmo mal. Se calhar, isto não é assim tão relativo. Se calhar, não nos devíamos estar a borrifar. Talvez valesse a pena emergir deste lodaçal e encher os pulmões de ar. Porque, no fim de contas, está nas nossas mãos. Nas mãos deste povo tão dado ao catastrofismo pacóvio, ao pessimismo de pacotilha e ao sensacionalismo inflamado. Mas que sempre foi incapaz de praticar as formas mais elementares de autocrítica construtiva.


O Complot
 
Se7en - 7 desculpas para não blogar
Desculpa #2 - Relatividade opinativa:


No princípio era a liberdade total. Descomprometido e anónimo, proferia disparates com a ligeireza que só este meio, ainda experimental, permitia. Aprendi muito, talvez tenha dado a conhecer também. O tempo passou, a blogosfera mudou. Também eu, e talvez mais. A blogosfera redefiniu a concepção que tinha da intelectualidade portuguesa, especialmente à direita. Em muitos casos, deu-me a conhecer novos escritores, músicos, pensadores, vias estilísticas e life-styles. Noutros, apenas confirmou a relevância e mérito de muitos dos meus heróis de cabeceira. Redescobri o prazer da escrita, alternando o cinismo descarado com a sinceridade comprometida.

Tudo isto é muito bom. Em termos de intercâmbio de ideias e opiniões, poucos meios serão capazes de suplantar o mundo dos blogues. Mas encontrei um enorme senão: à medida que o fenómeno se adensava e por ele ia sendo engulido, emergiu em mim uma espécie de relutância em abordar a maioria dos temas. Por uma questão de respeito. Por ter aprendido que a opinião tem de ser secundada por conhecimento e mais conhecimento. Leituras e mais leituras. Alguma experiência e muitos erros. Que sei eu de política? O que um cidadão com algum bom senso sabe; o que, pelos meus parâmetros, é manifestamente pouco. Que sei eu de cinema, música, literatura? Talvez mais que a média, mas muito abaixo do que julgo ser o mínimo exigível. E de filosofia, história das ideias? Qualquer coisa de negligenciável.
A alternativa podia ser dedicar-me a abordar aquilo em que me sinto relativamente à vontade. Não me serve. É redutor, pouco desafiante. E acabo por cair no impasse, no paradoxo, em sede do qual, por inúmeras vezes, destruí posts e mais posts, completos e prontos a dar à estampa, mas que por esta estúpida comichão selectiva foram votados ao nada.
Custa.
Mas quem disse que ia ser fácil?